terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Vem por aqui...





"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali





A minha glória é esta:
Criar desumanidade
Não acompanhar ninguém
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí Só vou por onde
Me levam meus próprios passos





Se ao que busco saber nenHum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
RedemOinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí





Se vim ao mundo, fOi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada
O mais que faço não vale nada





Como, pOis sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos





Ide Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios
Eu tenho a minha Loucura
Levanto-a, como um facho, a arder na nOite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios





Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo





Ah, que ninguém me dê piedosas intenções
Ninguém me peça definições
Ninguém me diga: "vem por aqui"
A minha vida é um vendaval que se soltou
É uma onda que se alevantou
É um átomo a mais que se animou
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí

(Claudia Monteiro)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Só isso !!!




Neste momento fecho-me em mim e dou comigo a pensar, a recordar a nostalgia que se escondia entre o tempo e entre o passado que eu teimava esquecer!

De nada sei!

Atiro-me inerte ao abismo, envolto nas obscuridades do pensamento e deixo o sentimento se soltar, abrir asas e voar.

Confesso! Tentei apagar de mim o ser "menino frágil", inseguro... um menino que eu não gostava de ser...

Então tapei-me, camuflei-o! Mascarei-me de coragem e força e enfrentei o mundo sem pena de mim, sem medo de nada, frio, gélido como se nada me tocasse: Intocável num mundo só meu.

Porém, tudo isto é mentira! Ele continua aqui! Dentro de mim! Suga-me a alma, revolta-me o espírito! Ele magoa-me!

Tento fugir. Não consigo.

Prendi-o num sítio qualquer, amarrei-0, atei-o, espalhei-o ao vento para que ele o levasse… Queimei-o, amachuquei-o (como a um papel sujo)! Tentei escondê-lo até de mim mesmo mas…

Ele indubitavelmente sou eu... Dele... inevitavelmente não posso fugir!

Corro, esquivo-me, esguio, ágil, lesto, de tudo aquilo me faz mal e me atropela, me descontrola... me rasga aquele ar artificial e sorridente que, tantas vezes, ouso vestir…

Então, mesmo que tenha de dar de caras com o que me fere, arrogante e frio, com um sorriso audaz e sem conteúdo, ignoro, desprezo... Sigo em frente sem mostrar que me importei ou que me importo… Mas…

"Só sei que nada sei". Bela e sabedora frase! Como ela nos define, nos caracteriza! Somos tão ignorantes que até ignoramos a nossa própria ignorância! E numa gargalhada indiscutivelmente sarcástica esboço a minha ironia!

O medo faz-nos perder tanto... Pensamos que sabemos tudo e não sabemos de nada! Então, acabamos por perder o que e quem realmente nunca quereríamos perder...

Eu não sei de nada! Estou tão confuso e entrego-me ao infinito, deitado na minha cama... ouvindo as musicas que me trazem de volta a mim: o “menino”... E divago...

Penso... Penso no quão especial estás a ser para mim, em como dás nova cor aos meus dias negros...

Penso naquele cheirinho a novidade e naquele arrepio frio, no aperto que dantes sentia no estômago... Penso em como com um sorriso teu, uma palavra brincalhona, num miminho sincero consegues trazer uma nova magia à minha insignificante vida... - suspiro... Será amor?... Não sei...

Nem sequer sei o que acontecerá daqui para a frente. Mas adorava poder voltar a dizer: EU AMO-TE….. porque já o estou a sentir…

Gostava de poder apagar os tempos em que me inundei nas minhas mágoas, me senti pequenino, inútil, invisível, ignorado... quando a única coisa que eu queria eram as tuas mãos para me segurar, esses teus braços para me abraçar… a tua voz para me reconfortar... o teu olhar meigo para me acalmar... e me distrair da realidade no sonho que era ter-te…

Mas… és tu que me fazes mal... Essa cara, esse corpo! Tu trazes-me alegria e dor ao mesmo tempo…

Queria sentir que sem ti não sei viver, sentir que és o ar que respiro…

Queria permitir-me a mim mesmo sentir que preciso de ti porque te sinto entranhada no meu pensamento, no meu corpo! Mas... será que é a ti que procuro? Serás tu aquela que busco?

Eu não sei... de nada sei...

Estou estranho, distante nos meus pensamentos.

Queria que viesse a mim o “sentir”, aquele “sentir” misterioso que nos faz saborear o desconhecido e magicar o futuro longínquo, apesar de eternamente presente nas nossas quimeras... mas sei que sempre que o deixo me abarcar, me abarca também este sofrer...

Sim... porque me apaixonei, me iludi, inutilmente me decepcionei.…

E ao mesmo tempo, não sei se foi paixão ou se foi um qualquer filme desfocado a escapar-se da minha imaginação fértil de criança...

Ali, nós dois… só nós dois, naqueles momentos, naqueles instantes em que eu te amava e tu a mim... Eu homem, tu mulher . Nada mais...

Nada nos separava... Nada nos prendia...

Um "amor"... em que me dei, onde me sentia protegido…

Na recordação, as tuas mãos... doces, suaves, medrosas… confiantes... – sorrio.

As mãos... Que ternura! O olhar... Tanto carinho! Instantes…

Foste um sonho!

E afastamo-nos, de mansinho, sem que nenhum dos dois dê por isso. (Ou dê… Naturalmente teria de ser assim…)

E novamente me entrego às anteriores loucuras de me aprisionar dentro de mim... Me acorrentar, me esvaziar de sentimento... Deixar tudo o que me traz tristeza... Tudo o que me quebra! E, assim, só assim me faço forte, torno-me homem, firme, decidido, impenetrável, implacável, intocável!

Deixo para trás a faceta de homem apaixonado e parto de mim em mim...
Respiro fundo. Sigo em frente...

Serei dramático?
Demasiadamente fatalista?

Se me pudesse desdobrar!!! Ai como me amaria! Mil promessas me faria! De mil beijos me cobriria e enfraquecida, em meus braços cairia...

Sim…


E se te dissesse que depois de tudo, nada ficou? Não! Minto! Ficou somente um carinho… carinho exímio, sem maldade, sem ressentimento, sem desprezo até.

E se te dissesse que no meio destas minhas palavras sem sentido – sim, porque confesso que sóbrio não estou – resta um desejo, sem igual, de felicidade por ti?

Nada foi em vão…

Por vezes, dei por mim a pensar que desperdicei tempo a sonhar contigo, que perdi tempo a estar contigo. Tempo da minha própria felicidade… que preferiria estar sozinho, tentando me encontrar a mim…



Mas… não. No fundo nada perdi, nada desperdicei, muito ganhei. E agradeço-te por, sem querer, me teres tirado nós que estavam presos na garganta…



A vida é feita de sabores e dissabores. Pelos dois lados da moeda temos nós decididamente de passar. Sofrer para aprender, bater com a cabeça nas paredes para compreender o fundamento das coisas que nos rodeiam e das situações pelas quais vamos passando. Assim se cresce! Não é?

E eu vou crescendo. Vou bebendo a minha "cerveja" e vou entendendo que nada é como eu gostaria que fosse e que também o meu pessimismo ou o meu optimismo não me levam a sítio algum. Devo antes permanecer eu mesmo! Só eu! Eu e mais eu e eu próprio no dia a dia! A viver sorrindo pela longa estrada da vida. Tentando não naufragar, mas viver! Viver no belo sentido da palavra. Sem exageros ou extravagâncias. Viver apenas o meu quotidiano sorrindo e fazendo sorrir quem amo. É isso! Sim… Só isso!

Meros pensamentos internos...



Escrevo-te porque, para mim, é mais fácil escrever que falar. Pois, falando olhos nos olhos vão faltando conversas e o tempo que temos tido é escasso para ter o cuidado de não deixar escapar nada. Faço deste mail uma carta; uma carta de esclarecimento de ideias e pensamentos; uma carta em que quero, por respeito a ti e a mim, falar (como sempre te venho falando aos poucos) de tudo aquilo que sinto, senti e que, para mim, é importante dizer-te.Tento fazer dele, então, o fechar de um capítulo da história da minha vida... falando com uma amiga, com alguém que me é especial e que faz parte dele. É preciso sempre saber quando uma étapa chega ao fim...Se insistirmos permanecer nela mais que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido de outras étapas que precisamos viver. Porque preciso de ti, não por aquilo que tu me dás, mas por aquilo que és para mim.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Já alguém me dizia que não somos nenhuns museus para viver do passado. Então, chega de falar em dores e mágoas, reviver capítulos que já têm final.Podes passar muito tempo a perguntares-te porque é que isso te aconteceu... Porque te magoaram? Porque magoaste? Porque te dedicaste tanto tempo a alguém que não te deu valor? Porque é que a vida te tornou céptico em relação às pessoas e aos relacionamentos? Porque é que te envolveste com certas pessoas das quais não eras recíproco em sentimento? (Para esta talvez tenha resposta: fugir à solidão.):) sentimentos, relacionamentos, coração, amor... São temas sempre tão sensíveis, não são? Já sofreste. Eu também. (Quem passa pela vida e não sofre, passa pela vida e não vive. Que bela frase!)Tudo o que vivemos vai fazendo de nós o que somos hoje mas, o hoje faz de nós o que seremos amanhã e eu tento melhorar-me a cada dia que passa, a cada momento, em todos os níveis e aspectos.Não sou perfeito, nem mais nem menos, nem pior nem melhor que ninguém mas tento ser o mais correcto possível com as pessoas de quem gosto e que, pela mesma razão, significam algo para mim, por serem especiais. O que passou não volta mais: não podemos ser eternamente pequeninos, adolescentes, amantes que revivem, noite e dia, uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar ou, até tenha e possa voltar mas... por experiência prórpria te digo que nunca mais será igual, nunca mais será pura... há já tanta coisa à volta que gera falta de credibilidade...As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora... Dar-lhes asas para voar. Aprender com elas e crescer, tornando-nos, assim, livres. Desejar o bem, procurar o bom. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, daquilo que está a acontecer aqui dentro do coração...Ao desfazer-me de algumas lembranças, abro espaço para que outras tomem o lugar delas.Deixar ir embora. Soltar. Desprender. E eu preciso largar-te.Por mais estranho que pareça, mesmo nós não tendo praticamente relação nenhuma, bateu fundo... Mexeste, estranhamente comigo, abriste o meu coração e mostraste-me que afinal sempre posso voltar a amar. Mas não me deveste nem deves nada. Daí, eu não te ter cobrado nem cobre. Daí, não ter fundamentos para te tratar mal, ser frio ou "parvo" por não ter o que queria.Ninguém joga, nesta vida, com cartas marcadas. Portanto, às vezes ganhamos, outras perdemos...As coisas são tão simples. Para quê complicá-las? O que é, é e o que não é, não é. Para quê forçar?Não espero que me devolvas o que te dou, que queiras descobrir o que sou e quem sou, que entendas o meu amor ou me retribuas o valor que te dou. Talvez não demonstre o que realmente sinto por saber que contigo piso areia movediça e não terra firme.Todos os medos que dizes ter, todas as duvidas, todas essas tuas interrogações interiores, eu também os tenho. Não foi por isso que desisti de ti, não foi por isso que não quis arriscar... Mas chega... Estou cansado. Eu só quero ser feliz... amar e ser amado. Devagar, com calma... No amor não há calma... Não há obrigação. Há necessidade.Esperando e esperando por ti a cada dia, a cada mês só me vai envenenando e me matando aos poucos e o que era desejo real, torna-se desejo platónico, uma ilusão. Tu vais-te envolvendo com outras pessoas, vais vivendo a tua vida e o teu dia a dia e eu fico aqui, parado, à espera do meu momento. É irónico, e para além disso, magoa. Penso que sabes que ser "amigo colorido" não é o meu género. Não sou de paixões físicas.Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo. E este mail vai com essa intenção.Encerrar o ciclo... Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente não me encaixo nesta história.Fecho a porta, mudo o disco. Não espero que me respondas a este mail. Ele só te é enviado como se por telepatia eu te falasse. Só vai para o leres como transmissão de pensamentos. Porque eu sei o que tu pensas sem ser preciso falares.Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão... Eu acredito no destino. Se cruzaste o meu caminho foi também por alguma razão...Aceito a distância, o silêncio, as tuas tentativas de ser feliz, sem qualquer dor de cotovelo. E espero sinceramente que o consigas ser. E vais sê-lo!O que desejo para mim, desejo para ti, pela tua sinceridade, em dobro. És especial!Acredita que estou e estarei sempre a torcer por ti, na bancada da frente ;)