Querido diário, hoje não tenho nada de novo para te dizer, apenas mais uma vez como costume sento-me nesta cadeira para te falar de mim.Como sabes não estou contente com esta vida que me foi dada, sinto-me cada vez mais em baixo sempre que olho para aquele calendário onde ainda vejo marcado o dia desde que ela partiu. Já passaram três anos desde então e os dias parecem não mudar e como já deves tu saber nunca mais voltei a sentir-me o mesmo. Maldito calendário. Que não consigo nem chegar perto para finalmente troca-lo e manda-lo fora, ate nas folhas já se nota a humidade a subir.
Hoje la no trabalho insinuarão que já estava mais que na altura de procurar alguém e começar a construir família, o que significa encontrar alguém novo... Concordo com eles, mas a questão e porque e que não o consigo.
Pois acho que porque todos os meus sonhos de uma vida futura nunca os tive sem ela estar presente... Acredita que já tentei meu amigo. Com todas as minhas forcas já tentei arrancar-la do meu coração, mas inevitável o esforço quando este também já esta habituado a amar só a ela.
Vezes sem conta me encontro no escritório perdido nas lembranças. Dormindo e sonhando acordado vou vivendo cada momento como se de uma maquina virtual eu pudesse desfrutar desses momentos sem sair dali...
Suspiro cinco minutos mais tarde quando finalmente volto a realidade e vejo que a imagem dela não passava de uma ilusão criada pelas saudades guardadas dentro de mim.
Com isso suspiro mais uma vez e seguidamente vezes sem conta com intervalos de 5 minutos, arrependendo-me de tudo o que nos fez separar um outro e o que nos obrigou desfazer-se de sonhos, ambicoes, planos, sentimentos, hábitos...
Lembro-me dos dias que enquanto dormia ela suavemente acordava-me com o seu afecto brando e carinhoso, com os seus beijos calorosos dizendo "bom dia mor" assim que eu abrisse o olhos para mais um dia.
Mais uma vez suspiro, e com cada suspiro se solta um sentimento de cansaço. Nesta sala vazia e escura mas cheia de lembranças escrevo-te contando os meus mais profundo segredos, desabafos, aliviando o espírito... Pois o que me doí, doí cá dentro e nem todos precisam de saber.
Só tu e eu, "meu querido diário".



